quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS EM CASO DE FIM DO EURO

A saída do euro pode ocorrer de forma muito caótica, podendo levar ao colapso temporário do sistema de pagamentos e de distribuição O risco de saída de Portugal do euro tem associados múltiplos riscos, dos quais gostaria de salientar três: o risco do colapso temporário do sistema de pagamentos, o risco do colapso temporário do sistema de distribuição de produtos e o risco de perda – definitiva – de valor de inúmeros ativos (depósitos à ordem e a prazo, obrigações, ações e imobiliário, entre outros).
Considero que todos os portugueses devem “subscrever” seguros contra estes riscos, tal como fazem um seguro contra o incêndio da sua própria casa. Quando se compra este seguro, o que nos move não é a expectativa de que a nossa casa sofra um incêndio nos meses seguintes, um acontecimento com uma probabilidade muito baixa, mas sim a perda gigantesca que sofreríamos se a nossa habitação ardesse.
Quais são as consequências imediatas de Portugal sair do euro? A nova moeda portuguesa (o luso?) sofreria uma desvalorização face ao euro de, pelo menos, 20%. Todos os depósitos bancários seriam imediatamente transformados em lusos, perdendo, pelo menos, 20% em valor. Todos os depósitos ficariam imediatamente indisponíveis durante algum tempo (dias? semanas?) e não haveria notas e moedas de lusos, porque o nosso governo e o Banco de Portugal não consideram necessário estarmos preparados para essa eventualidade.
O mais provável é que a saída do euro fosse anunciada numa sexta-feira à tarde, havendo apenas o fim de semana para tratar da mudança de moeda. Logo, na sexta-feira os bancos retirariam todas as notas de euros das máquinas de Multibanco e quem não tivesse euros em casa ou na carteira ficaria sem qualquer meio de pagamento.
Durante algumas semanas (ou mais tempo) teríamos um colapso do sistema de pagamentos e, provavelmente, também um corte nos fornecimentos. As mercearias e os supermercados ficariam incapazes de se reabastecer, devido às dificuldades associadas à troca de moeda.
Estes “seguros” de que falo, contra este cenário catastrófico, não podem ser comprados em nenhuma companhia de seguros, mas podem ser construídos por todos os portugueses, estando ao alcance de todos, adaptados à sua realidade pessoal.
O que recomendo é algo muito simples que – todos – podem fazer. Ter em casa dinheiro vivo num montante da ordem de um mês de rendimento e a despensa cheia para um mês. Esta ideia de um mês de prevenção é indicativa e pode ser adaptada à realidade de cada família.
Não recomendo que façam isso de forma abrupta, mas lentamente e também em função das notícias que forem saindo. De cada vez que levantarem dinheiro, levantem um pouco mais que de costume e guardem a diferença. De cada vez que fizerem compras tragam mais alguns produtos para a despensa de reserva. Aconselho que procurem produtos com fim de validade em 2013 ou posterior, mas, nos casos em que isso não seja possível, vão gastando os produtos de reserva e trocando-os por outros com validade mais tardia. Desta forma, sem qualquer rutura, vão construindo calmamente os vossos seguros contra o fim do euro.
Quanto custará este seguro? Pouquíssimo. Em relação ao dinheiro de reserva, o custo é deixarem de receber os juros de depósito à ordem, que ou são nulos ou são baixíssimos. Em relação aos produtos na despensa de reserva, é dinheiro empatado, que também deixa de render juros insignificantes.
Quais são os benefícios deste seguro? Se o euro acabar em 2012, como prevejo, o dinheiro em casa não se desvaloriza, mas o dinheiro no banco perderá, no mínimo, 20% do seu valor. Além disso terá o benefício de poder fazer pagamentos no período de transição, que se prevê extremamente caótico. A despensa também pode prevenir contra qualquer provável rutura de fornecimentos, garantindo a alimentação essencial no período terrível de transição entre moedas. Parece-me que o benefício de não passar fome é significativo.
E se, por um inverosímil acaso, a crise do euro se resolver em 2012 e chegarmos a 2013 com o euro mais seguro do que nunca? Nesse caso – altamente improvável – a resposta não podia ser mais simples: basta depositar no banco o dinheiro que tem em casa e ir gastando os produtos na despensa à medida das suas necessidades.

Pedro Braz Teixeira - Investigador do NECEP da Universidade Católica

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

MEDINA CARREIRA – CHEGAM COM MALA DE CARTÃO E VOLTAM RICOS!

Medina Carreira defendeu que a maioria dos políticos não é corrupta, mas reconheceu que existem casos de «negociatas» em que os políticos chegam com «malas de Linda de Suza e voltam ricos».
O programa Olhos nos Olhos da TVI 24 entrevistou Paulo Morais que considerou que o que aconteceu no caso de Duarte Lima não é raro. O vice-presidente da organização Transparência Integridade, afirma que é até bastante comum e conta com a cumplicidade dos próprios bancos.
“Compram um terreno por dez, conseguem com um despacho administrativo valorizá-lo para mil. Ganham de uma de duas formas, ou os empreendimentos imobiliários se fazem e eles ganham através da operação imobiliária ou então mesmo que não se façam vão à banca buscar financiamento sobre os mil para um terreno que efetivamente valia 100”, acusou Paulo Morais. No programa Medina carreira e Paulo Morais traçaram um cenário negro da corrupção em Portugal. Para o ex-vice- presidente da Câmara do Porto, tudo o que tem a ver com o BPN deve ser investigado. A começar pela sua fundação por políticos.
Paulo Morais e Medina Carreira afirmam que a corrupção existe na política e não sendo maioritária consegue vencer.” Os políticos maioritariamente não são corruptos, não tenho dúvida nenhuma disso e é por isso que me surpreende que não façam nada. A maioria não consegue dominar a minoria. (…) Muitos são Lindas de Suza, chegaram aqui com uma mala de cartão, meteram-se num partido, ocuparam lá um cargo qualquer que dava para fazer negociatas e de repente enriqueceram”, defendeu Medina Carreira. «A organização Transparência e Integridade alertou a troika para os riscos de corrupção nas privatizações. Paulo Morais avisa que é preciso que tudo decorra com concursos de regras bem transparentes.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ESPANHA PERSEGUIRÁ PENALMENTE POLÍTICOS QUE NÃO CUMPRAM ORÇAMENTOS (E POR CÁ?)

O ministro da Fazenda Espanhol Cristóbal Montoro, afirmou que o governo avançará com mudanças na lei para exigir responsabilidades penais a gestores públicos, políticos ou não, que não cumpram os orçamentos.
“Vamos fazer uma mudança que chamamos lei de Transparência de Governo. Vamos exigir responsabilidades penais para os gestores públicos”, sejam políticos ou pessoas nomeadas por políticos, afirmou em declarações à Cadena Ser. Um gestor público, insistiu Montoro, “não pode gastar além dos limites que tenha no seu orçamento” porque se o fizer estará a “falsificar a contabilidade pública e a guardar facturas numa gaveta que depois se tornam impagáveis”.
O anúncio foi feito pelo governante espanhol, depois de se ter reunido com os responsáveis de fazenda e economia dos Governos Regionais, no âmbito do Conselho de Política Fiscal e Financeira (CPFF) para analisar a futura lei de estabilidade orçamental.
Segundo explicou o próprio Montoro depois dessa reunião, os Governos central e regionais alcançaram um “compromisso de Estado” pelo equilíbrio orçamental, acordando medidas para garantir a liquidez e cumprir os pagamentos a fornecedores. Os representantes dos Governos Regionais deram o seu apoio à futura lei de estabilidade orçamental que está a ser finalizada pelo Governo Nacional e que, entre outros aspectos, prevê sanções para as regiões espanholas que não cumpram os objectivos de défice.



Comentário: E por cá o que se passa? Absolutamente nada! O que existe é ISTO e mais ISTO! Como sugestão deviam-se punir os gestores públicos que nos últimos 20 anos lesaram o Estado Português (diga-se nós todos).

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

BYRON WIEN DA BLACKSTONE - LISTA DE SURPRESAS QUE PODEM ACONTECER EM 2012

Byron Wien, vice-presidente da Blackstone Advisory Partners, publicou uma lista de surpresas para 2012 - seguindo uma tradição de 25 anos enquanto começou ainda estratega chefe dos EUA na casa de investimento Morgan Stanley. Byron define uma "surpresa" como um acontecimento que o investidor médio atribui apenas uma em cada três possibilidades de ocorrerem, mas que acredita que é "provável", sendo uma probabilidade superior a 50% de acontecer:
As surpresas de 2012

1. A extração de petróleo e gás a partir da rocha do xisto começa a ser um divisor de águas. O preço do petróleo regressa de volta a US $ 85 dólares o barril e os Estados Unidos torna-se menos dependente da oferta do Médio Oriente. Depósitos na Polônia, Ucrânia e em outros lugares prometem ser provados. Aumento da produção da Líbia e do Iraque e a redução da procura resultante da desaceleração atividade econômica mundial contribuem para a queda dos preços.

2.O lucro para empresas americanas continua a mover-se superior ao índice Standard & Poor’s 500 acima de 1400.Os preços das matérias-primas continuam ligeiras e os lideres de negócios com sucesso ajustam para um crescimento económico mais lento usando a tecnologia para reduzir o trabalho e a componente logística de bens e serviços vendidos; margens de lucro permanecem altas.

3. A economia dos EUA recebe o seu segundo fôlego. O crescimento real é superior a 3% e a taxa de desemprego cai abaixo dos 8%. Os receios de recessão e até mesmo a "novidade normal" de visão de crescimento lento e prolongado são postas em causa. Os gastos de capital, exportações e o consumidor impulsionam a economia, a superar o arrasto fiscal. A queda no preço do petróleo e a ascensão no mercado de ações melhoram a confiança dos consumidores e parceiros de gastos.

4. A recuperação da economia e o declínio da taxa de desemprego ajudam o Presidente Obama a convencer os eleitores de que ele não fez um trabalho tão mau no seu primeiro mandato, apesar de tudo. Ele é visto como um bom orador, mas um líder fraco que está a concorrer contra Mitt Romney, visto como sem inspiração e cujas posições em muitas questões não são claras. Os democratas retornam à Casa dos Representantes, mas perdem o Senado numa onda anti-histórica
.
5. Europa finalmente desenvolve um plano abrangente para lidar com seu problema da dívida soberana e aproxima-se para a coesão fiscal. O Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira e a União Europeia reúnem um conjunto para manter todos os países da União e para continuarem o euro como moeda do continente. A Grécia tem uma grande reestruturação da sua dívida; Espanha e Irlanda fortalecem as suas finanças durante o ano, mas a Itália sofre uma reestruturação "voluntária". A crise dos bancos é evitada, mas a austeridade imposta faz com que a Europa sofra uma recessão.

6. O computador substitui armamentos convencionais como a principal arma dos terroristas e adversários geopolíticos. Piratas informáticos do Leste Europeu e da Ásia invadem os bancos de dados das principais instituições financeiras internacionais, causando o encerramento de bancos temporariamente. Um alarmado G-20 reúne-se para resolver o problema.

7. Preocupados com o rápido crescimento da oferta monetária no mundo desenvolvido, os investidores compram as moedas dos países que parecem fazer gestão das suas economias de forma sensata. Moedas escandinavas, o dólar australiano e de Singapura e o benefício do won coreano.

8. O Congresso decide suas disfuncionalidades se é prejudicial para ambas as partes e os atos antes da eleição de Novembro para lidar com o fracasso do Super Comité a desenvolver um programa para reduzir o deficit orçamentado dos EUA em US $ 1,2 trilião dólares em dez anos. Tanto a defesa e Medicare (assistência à doença nos EUA) são significativamente reduzidas; subsídios para agricultura são reduzidos e deduções fiscais para petróleo, gás e parcerias imobiliárias são modificadas. Obama compromete-se a deixar de continuar alguns aspetos do programa de corte de impostos de Bush se ele for reeleito.

9. A Primavera árabe vence, finalmente, e Bashar al-Assad e as regras da sua família sobre a Síria termina. Enquanto queda de Assad poderia ter sido inevitável, acontecem importantes efeitos em cascata em toda a região enfraquecendo o Hamas, a Hezbollah isolando o Irão ainda mais.

10. Após dois anos de fraco desempenho do mercado acionista, enquanto as suas economias ainda que com o crescimento real de um dígito, os mercados emergentes, finalmente, têm um bom ano. O crescimento desacelera um pouco, mas as avaliações favoráveis permitem os índices na China, Índia e Brasil para apreciarem uns 15-20%.

Com uma probabilidade de não achar com mais de 50% de acontecerem e serem menos importantes par os investidores:

11. A habitação começa a pegar significativamente. A força da economia juntamente com subida da acessibilidade incentiva o consumidor a voltar para o mercado e fazer compromissos a longo prazo. O excesso de casas vazias começa a ser absorvido.

12. O rendimento na nota do Tesouro dos EUA nos 10 anos sobe para 4% enquanto a China continua a investir fortemente em ativos tangíveis e matérias-primas e puxa para trás colocando reservas nas obrigações dos países desenvolvidos.

13. Depois de corrigir bruscamente no final de 2011 o ouro gira à volta de $ 1800 dólares durante o ano. Políticas monetárias acomodativas em todo o mundo desenvolvido causam uma migração para ativos tangíveis renovados por investidores individuais e fundos soberanos. Igualmente benefício da prata, subindo para US $ 40 dólares.

14. A disciplina fiscal ao nível do Estado e local permite que a queda no rendimento dos títulos municipais continue.