terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O CLAN DUARTE LIMA E O POLVO LARANJA

1- A partir de 2008 torna-se evidente que a operação Face Oculta foi redireccionada pela investigação e pelos Media para passar a visar principalmente Sócrates. Era preciso derrubar Sócrates e mudar de governo, porque havia gigantescos interesses em jogo e, em particular,o caso BPN prometia dar cabo do PSD.


2. Das fraudes do BPN ignora-se ainda hoje a maior parte. Trata-se de uma torrente de lama inesgotável, que todos os nossos Media evitam tocar.

3. O agora falado caso IPO/Duarte Lima, de que Isaltino também foi uma peça fulcral, nem foi sequer abordado durante o Inquérito Parlamentar sobre o BPN, inquérito a que o PSD se opôs então com unhas e dentes, como é sabido. A táctica então escolhida pelo polvo laranja foi desencadear um inquérito parlamentar paralelo, para averiguar se Sócrates estava ou não a «asfixiar» a comunicação social! Mais uma vez, uma produção de ruído para abafar o caso BPN e desviar as atenções.

4. Mas é interessante examinar como é que o negócio IPO/Lima foi por água abaixo.

5. Enquanto Lima filho, Raposo e Cia. criavam um fundo com dezenas de milhões , amigavelmente cedidos pelo BPN de Oliveira e Costa, Isaltino pressionava o governo para deslocar o IPO para uns terrenos de Barcarena, concelho de Oeiras. Isaltino comprometia-se a comprar os terrenos (aos Limas e Raposo, como sabemos hoje) com dinheiro da autarquia e a «cedê-los generosamente» ao Estado para lá construir o IPO. Fazia muito jeito que fosse o município de Oeiras a comprar os terrenos e não o ministério da Saúde, porque assim o preço podia ser ajustado entre os amigos vendedores e compradores, quiçá com umas comissões a transferir para a Suíça.

6. Duarte Lima tinha sido vogal da comissão de ética (!) do IPO entre 2002 e 2005, estava bem dentro de todos os assuntos e tinha óptimas relações para propiciar o negócio. Além disso, construiu a imagem de homem que venceu o cancro, história lacrimosa com que apagava misérias anteriores. O filho e o companheiro do PSD Vítor Raposo eram os escolhidos para dar o nome, pois ao Lima pai não convinha que o seu nome figurasse como interessado no negócio.
7. Em Junho de 2007 Isaltino dizia ainda que as negociações para a compra dos terrenos em causa estavam "em fase de conclusão" (só não disse nunca foi a quem os ia comprar, claro). E pressionava o ministro da Saúde: "Se se der uma mudança de opinião do governo, o cancelamento do projecto não será da responsabilidade do município de Oeiras."
8. Como assim, "mudança de opinião do governo"?

9. Na verdade, Correia de Campos apenas dissera à Lusa que o governo encarava a transferência do IPO para fora da Praça de Espanha e que estava a procurar um terreno, em Lisboa ou fora da cidade, para esse efeito. Nenhuma decisão tinha sido tomada, nem nunca o seria antes das eleições para a Câmara de Lisboa, que iam realizar-se pouco depois, em Julho de 2007.
10. No decorrer do ano de 2007, porém, a Câmara de Lisboa, cuja presidência foi conquistada por António Costa, anunciou que ia disponibilizar um terreno municipal para a construção do novo IPO no Parque da Bela Vista Sul, em Chelas, Lisboa. Foi assim que se lixou o projecto Lima-Isaltino: o ministro Correia de Campos não cedeu às pressões de Isaltino e a nova Câmara de Lisboa pretendia que o IPO se mantivesse em Lisboa. Com Santana à frente da autarquia e um ministro da Saúde do PSD teria tudo sido muito diferente. E os Limas e Raposos não teriam hoje as chatices que se sabe. E Duarte Lima até talvez já tivesse uma estátua no Parque dos Poetas do amigo Isaltino.
11. Sabemos como, alguns meses depois deste desfecho, o ministro Correia de Campos foi atacado por Cavaco no discurso presidencial de Ano Novo, em 1 de janeiro de 2008. Desgostado com as críticas malignas do vingativo Presidente, Correia de Campos pediu a sua demissão ainda nesse mês. Não sabemos o que terá levado Cavaco a visar dessa maneira um ministro do governo Sócrates, por sinal um dos mais competentes. Que Cavaco queria a pele de Correia de Campos, foi bem visível. Ele foi a causa do fracasso do projecto do IPO/Oeiras e dos prejuízos causados ao clan do seu amigo Duarte Lima e ao polvo laranja .
É bem possível que essa tenha sido a razão.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

NOURIEL ROUBINI – A EUROPA PRECISA DE FLEXIBILIZAÇÃO MONETÁRIA MASSIVA

A Europa precisa de "flexibilização monetária massiva" para sair da sua crise da dívida, caso contrário, a Grécia provavelmente vai abandonar o euro em um ano e meio, disse o famoso economista Nouriel Roubini numa entrevista no Fórum Económico mundial a decorrer em Davos na Suiça..
"A Grécia vai ser o primeiro país a reestruturar a sua dívida, mas eu não acho que vá ser o último".
O Banco Central Europeu tem de agir rapidamente com a "flexibilização monetária massiva" para evitar um agravamento da crise e as medidas de austeridade devem ser travadas, com o euro a precisar de ser 20 por cento ou mesmo 30 por cento mais fraco para ajudar as economias da zona euro.
"Há uma grave recessão na periferia da zona do euro". “Menos austeridade, mais crescimento, isso são as necessidades de hoje na zona euro."
“A saída ou não de aumento dos impostos nos EUA será um passo importante na campanha eleitoral presidencial, porque a economia americana está ameaçada pela desaceleração do crescimento mundial e da recessão em algumas partes”.
"Não há separação real... há uma recessão agora na zona da periferia do euro".
"Há uma recessão em toda a Europa, o crescimento dos EUA está muito anémico. Existe também uma desaceleração agora na China".
Há muitos problemas na zona euro, como a elevada dívida pública e as contas correntes de alguns países, salientou Roubini.
"Estes não serão resolvidos pela emissão de dinheiro do BCE".”Os problemas são fundamentais que vão levar anos para se resolverem... e agora o contágio se espalhou."
Dados divulgados pelo governo do Reino Unido mostram, a aproximação do país a uma recessão de duplo mergulho.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu suas estimativas para o crescimento económico mundial e advertiu que a crise da dívida da zona euro estava a atravessar uma "fase nova e perigosa."

domingo, 29 de janeiro de 2012

PROCURAM-SE POLÍTICOS SÉRIOS (SE É QUE EXISTEM)

Afinal a política e o VOTO DO POVO ainda assustam o capital. Veja-se o caso da Grécia que conforme os problemas existentes e os seus desenvolvimentos no País influenciam os mercados financeiros para além do que se passa a nível global. Os gregos estão convencidos de que o mundo inteiro se uniu para os tramar, mas é o mundo inteiro que está tramado porque eles chegaram onde chegaram e nós andamos lá perto para além de outros países os tão proclamados (PIIGS). A culpa não é exclusivamente nossa. É até mais do sistema de usura que assenta o financiamento das economias. Adiante, conhecíamos as regras e fizemos asneira ao colocar-nos nas mãos dos usurários (quem empresta dinheiro). Agora, nós e os Gregos para além dos países (Irlanda, Espanha, Itália), temos de pagar o que devemos e exigir líderes capazes de mudarem as regras.
Nós, que tão mal dizemos dos políticos de uma forma geral, temos que exigir que o primado da política volte a prevalecer. São precisas lideranças nos países que, executando em nome do POVO que os elegeu, saibam exigir do capital respeito por quem trabalha. É bem mais fácil do que parece. Acabem com os paraísos fiscais, regulem e fiscalizem como deve ser actividade financeira eliminando sobretudo os intermediários na alocação de capital que não tem escrúpulos nenhuns recebendo bónus chorudos pelas transacções financeiras efectuadas não ligando nenhuma às garantias que são necessárias haver e separação da actividade bancária (comercial, investimento). Garantam no fundo, que quem empresta dinheiro ganhe dinheiro mas sem usura (cobrança de taxa de juros excessiva).
Precisamos de líderes mundiais que falem e decidam em nome do povo, que não se acobardem perante a força do sistema financeiro. Mas este caminho nunca poderá ser feito colocando uns contra os outros. Se quem gere o capital tem de mudar de vida, também quem precisa desse capital, e tem de o pedir emprestado, vai ter de mudar de vida. Utilize-se o capital para a criação de riqueza e não para a especulação alimentando os intermediários financeiros cujo ramo de activade foi a que mais cresceu a nível nacional e mundial. O capital reprodutivo é odiado da mesma forma que o capital especulativo, mas na verdade quem investe capital na produção é tão vitima de usura como o povo trabalhador. Os empresários, por esse mundo fora, não retiram prazer da necessidade de reduzirem os custos de produção para compensarem as consequências do aumento dos custos de capital.
Vivemos hoje uma extrapolação de ganhos com a dívida soberana dos países mas esse fenómeno é fácil de explicar porque a capital gira em torno de cinco variáveis principais (imobiliário, acções, obrigações, commodities e arbitragem financeira). Como os mercados tem ciclos de duração e os dois primeiros estão em crise logo o dinheiro circula principalmente em obrigações (dívida) e commodities (petróleo, ouro, algodão etc).
Finalizando cada vez que um Banco Central manda imprimir dinheiro são os povos (PAÍSES) que ficam endividados nomeadamente os que estão ligados a esse Banco.

António Batista

sábado, 28 de janeiro de 2012

FU YING - RISCO DE COLAPSO NA ZONA EURO SEM COOPERAÇÃO

A zona do euro pode entrar em colapso se os países membros não trabalham em conjunto para resolverem a crise da dívida, mas a China tem o prazer de ver que a Alemanha e a França estão a cooperar para evitar esse risco, disse numa entrevista o vice-ministra chinesa dos negócios estrangeiros para a Europa Fu Ying.
Os líderes da China, incluindo o primeiro-ministro Wen Jiabao, têm repetido e expressado confiança na zona euro, embora as autoridades e os comentários da imprensa também tenham refletido ansiedades sobre as perspectivas económicas da Europa.
O principal jornal oficial China comparou a crise da dívida da zona do euro como peste negra.
Falando a uma revista alemã na semana passada, a Vice-Ministra chinesa dos Negócios Estrangeiros Fu Ying, disse que os problemas do euro tinham sido objecto de tema de discussão com os seus colegas.
"Ainda que o Ocidente esteja a passar por dificuldades, a Europa e os Estados Unidos têm triunfado sobre muitas dificuldades no passado".
"O que possa acontecer na economia do Ocidente terá um impacto próximo na China. O nosso nível de interdependência é muito alto, e os danos para o Ocidente, não significam ganhos da China. Estamos todos no mesmo barco. Estamos certamente preocupados com as dificuldades económicas do Ocidente.
"Recentemente eu e os meus colegas temos discutido o futuro da União Europeia".
"O ponto de vista básico de todos é que se os países europeus puderem lado a lado resolver os problemas, a UE continuará a progredir e continuará a integração ainda mais, caso contrário, a zona euro pode entrar em colapso", acrescentou.
Cerca de um quarto das reservas da China em moeda estrangeira mais de US $ 3 triliões dólares são detidas em activos em euros, estimam os analistas.
Dos 27 membros constituintes do bloco da UE a China é o maior parceiro comercial, com o comércio bilateral de mercadorias em 2010 a atingir € 395.000.000.000 (570.000.000.000 dólares), uma subida de 13,9 por cento, de acordo com estatísticas da UE. As exportações chinesas para a UE chegaram a 281.900.000.000 € em 2010, um aumento de 18,9% em 2009.
Os problemas económicos da UE também levaram a agitação política e social em alguns Estados membros.
Mas Fu disse que não estava preocupada com a estabilidade política na China caso a crise se espalhe para lá.
"Quando os governos ocidentais sofrem crises económicas, devemos preocupar-nos com o nosso próprio sistema político? Então por que deveríamos ter essas preocupações?" perguntou ela.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

LATADAS

Nestas linhas não irei falar da famosa “latada “estudantil mas sim da grande “lata”que muita gente tem tido, pelo nosso país fora. Referir-me, claro está, a muitos socialistas, que têm vindo a público criticar a alegada falta de “isenção” das nomeações feitas pelo actual governo.
Ora, Socialistas criticarem nomeações por filiação partidária, seria mais ou menos como Elton John chamar “gay” a alguém em tom de gozo!
Mas haverá limite para a lata destas pessoas? Não terão noção do ridículo? Ou achariam que só o PS é que tem direito a “boys” e que estes são insubstituíveis independentemente do que façam?
Chegam ao ponto de ter o descaramento de pôr em causa a competência e/ou adequação das pessoas ao lugar para o qual são nomeadas. Mas, não terão memória do que fizeram no passado (ainda bem recente)?
Por exemplo, Fernando Gomes na GALP! Percebia alguma coisa de combustíveis (ou do que quer que fosse)? Armando Vara na Caixa geral de Depósitos e mais tarde no BCP. Era “expert” no assunto ou apenas percebia de robalos?
Mas se pela competência não têm onde pegar, falam nos salários que irão auferir. E aí se percebe a “fúria” socialista que pede ao governo para acabar imediatamente com as nomeações! É que por cada “boy” socialista que é substituído, fica-se a saber quanto esse “boy” auferia de rendimento e rapidamente se chega à conclusão do porquê de grande parte das dívidas do Estado! É que havia muitos a auferir rendimentos que, na situação actual do país, deixam qualquer pessoa indignada! A mais caricata resposta que vi nos últimos dias, de um conhecido socialista, foi a de que “nessa altura era normal” ganhar “esses valores mas agora é ultrajante”! Estaria a gozar? Pois, só que à custa do que se pagava “nessa altura”, como ele dizia, é que agora temos de pagar a dívida que temos! Conclusão, para o Partido Socialista, se o PSD faz nomeações, é um ultraje! Mas se forem nomeações do PS, é fazê-las em catadupa, com ordenados milionários e é tudo normal e correcto! Haja lata! Esquecem-se é de, por exemplo, falar dos casos em que os “nomeados” actuais vão auferir menos de ordenado do que os seus “antecessores” socialistas, pois já existe novo regime de vencimentos para gestores públicos. Isso não interessa falarem?
Interessa é dar a conhecer o valor anteriormente pago e dar a entender que é o que os “novos empossados” vão ganhar, para ver se o povo mal-informado se revolta de igual modo que os “desempossados” das referidas funções! Mais uma vez, se a lata e descaramento pagassem impostos, aí sim, o Partido Socialista acabava com a dívida portuguesa num piscar de olhos! É que se existe alguém “expert” em nomeações, é precisamente o PS! Ou já se esqueceram que, inclusive, a expressão “jobs for the boys” surgiu no tempo de António Guterres? Para os lados do Largo do Rato devem andar muitos telhados de vidro a estilhaçarem-se.
Outro assunto que tem dominado a actualidade e houve quem me pedisse para comentar, prende-se com a Maçonaria. Mas falar sobre homens de avental é algo que, como diria um certo jovem, “a mim não me assiste”! Logo, voltando ao assunto inicial,espero é que quem continue a ter a lata de criticar como tem feito, se remeta a uma singela lata de sardinhas e não a uma caixa cheia de robalos!

NUNO DUARTE M. FIGUINHA (artigo publicado no Jornal Povo da Beira)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

INCUMPRIMENTO DA DÍVIDA SOBERANA GREGA NÃO VAI IMPEDIR O CONTÁGIO

Mesmo que a Grécia entre em incumprimento nos próximos meses, a crise da dívida na zona do euro permanecerá sem solução, especialmente se qualquer incumprimento for desordenado.
"Estas conversas são sobre os credores privados. Ninguém está a escrever a parte (da dívida da Grécia) que o (Banco Central Europeu) possui, o que deixa o rácio da dívida em relação ao PIB para a Grécia em 120% no melhor cenário dos casos. É preciso haver uma contabilidade muito melhor da dívida grega que está debaixo da mesa, e ela tem que ir em todas as áreas ", disse Marc Ostwald, (estratega de mercado) da Monument Securities.
Ostwald acrescentou que um incumprimento ordenado é o cenário mais provável, mas disse que um incumprimento não controlado não poderia ser desprezado.
"Um incumprimento ordenado, a curto prazo é o cenário mais provável, mas essa situação não vai desaparecer. Podemos obter um incumprimento forte no espaço de tempo 3-6 meses", acrescentou Ostwald.
Bob Parker, economista do Credit Suisse, foi igualmente pessimista sobre a situação a longo prazo na Europa.
" No momento existem duas falhas fundamentais na zona do euro. Em primeiro lugar, a falta de vontade política para adicionar fundos para o fundo de resgate europeu. Em segundo lugar, onde está a estratégia de crescimento na Europa?".
Mais acrescentou que a zona euro seria beneficiada por um euro mais fraco por causa de sua estratégia de crescimento ser fraca.
Gustavo Bagattini, economista do RBC (Royal Bank of Canadá), acrescentou que o quadro macroeconómico piorou o que prejudicaria os efeitos positivos da gestão da dívida a curto prazo.
"Nós não estamos ainda completamente fora da floresta, e temos o cenário macroeconómico como pano de fundo a tomar um rumo para o pior, estaremos provavelmente em recessão neste trimestre.

KENNETH ROGOFF - A EUROPA ESTÁ LONGE DE UMA SOLUÇÃO