quinta-feira, 13 de outubro de 2011

SE OCORREU NO OUTRO LADO DO ATLÂNTICO O QUE IRÁ ACONTECER NA EUROPA?

Num sinal sombrio da natureza duradouro da crise económica, os rendimentos das famílias diminuíram mais nos dois anos após a recessão ter acabado do que aconteceu durante a recessão. Entre Junho de 2009, quando a recessão terminou oficialmente, e Junho de 2011, ajustada à inflação o rendimento médio caiu 6,7 por cento, cerca de $ 49,909 dólares. Durante a recessão de Dezembro de 2007 a Junho de 2009, o rendimento familiar caiu 3,2 por cento.
A descoberta ajuda a explicar o porquê das atitudes dos americanos para com a economia, com a direcção do país e para os com os seus líderes políticos continuarem a azedarem mesmo que a economia venha a crescer. Infelicidade e raiva passaram a dominar a cena política, incluindo as fases iniciais da campanha presidencial de 2012.
A queda total de 9,8 por cento no rendimento desde o início da recessão até Junho deste ano, o mês mais recente no estudo, parece ser o maior em várias décadas, segundo dados dos Censos dos EUA. Gordon W. Green Jr, que escreveu o relatório com John F. Coder, chamaram ao declínio "uma redução significativa no padrão de vida americano".
Essa redução ocorreu mesmo com a taxa de desemprego a cair ligeiramente, para 9,2 por cento em Junho em comparação com 9,5 por cento dois anos antes. Duas forças principais parecem ter pressionado a remuneração: o número de pessoas fora da força de trabalho - sem trabalho, nem à procura de trabalho – ter aumentado, e o pagamento por hora de pessoas empregadas não conseguir acompanhar a inflação, com os preços dos derivados de petróleo e muitos alimentos terem saltado.
Durante a recessão, por outro lado, os ganhos salariais superaram inflação.
Uma das razões do pagamento ter estagnado é que muitas pessoas que perderam seus empregos durante a recessão e permaneceram fora do trabalho por meses, têm levado cortes salariais, a fim de serem contratadas novamente. Num estudo separado, Henry S. Farber, professor de economia na Universidade de Princeton, descobriu que as pessoas que perderam seus empregos durante a recessão e mais tarde encontraram trabalho novamente faz uma média de 17,5 por cento menos do que eles quando tinham os seus empregos antigos.
"Como um economista do trabalho, eu não acho que a recessão acabou", disse Mr. Farber. "Quem perde emprego está a ter mais problemas do que nunca antes de encontrar empregos de tempo integral."
Mr. Farber acrescentou que esta recessão era "fundamentalmente diferente" da maioria dos anteriores. Historicamente, dizem outros economistas, as crises financeiras e de dívida causadas por bolhas levaram a uma recessão mais profunda e mais prolongada.
Mr. Green e Mr. Coder disseram que a taxa de desemprego persistentemente elevada e a longa duração do desemprego ajudam a explicar o declínio no rendimento durante a recuperação.
Os economistas disseram que a recessão terminou em Junho de 2009. Em todos os trimestres desde então, a economia cresceu.
Alguns economistas vêem sinais de que os Estados Unidos podem estar dentro ou prestes a entrar numa nova recessão, embora a evidência seja mista.

Este artigo foi retirado parcialmente do The New York Times

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

DÍVIDAS DE CLUBES PAGAM SERVIÇOS

O Instituto do Desporto de Portugal (IDP) desviou dois milhões de euros de receitas do Plano Mateus que eram devidas à secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais (SEAF), para pagar a fornecedores. A somar a isso, as dívidas não contabilizadas do IDP ascendem a 6,78 milhões de euros.
Segundo apurou o CM, desde Janeiro de 2010 que o IDP não transfere para a secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais as verbas que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa remete mensalmente, relativas à promoção e desenvolvimento do Futebol, através dos jogos sociais. Dessas receitas, 80% destinam-se ao pagamento das dívidas fiscais dos clubes de futebol.

domingo, 9 de outubro de 2011

O NARCISISMO DO MEU PAÍS

Portugal tem uma população muito trabalhadora mas economicamente ineficiente. O maior problema da sociedade portuguesa está no facto de ter uma classe média acomodada e presunçosa com falta de espírito empreendedor, geralmente colada ao Estado e a burocracias ineficientes. Em nome do progresso, o povo foi submetido a um ritmo de mudança tal que perdeu a visão geral dos problemas, entrando num processo desorientação e numa despersonalização que se expressa no exagerado consumo de antidepressivos em relação a outros países. Encontramo-nos perante um país com um Estado cobaia sempre a importar novos conceitos mas sem tempo para os digerir nem para desenvolver conceitos próprios com base na própria experiência (isto pude constatá-lo durante 30 anos nas formações anuais do Ministério da Educação – uma semana por ano). A vida dura leva-o a sonhar: ir ao shoping, ver futebol não restando tempo para ler.
Enquanto países como a Alemanha se preocupam em receber imigrantes qualificados para as suas empresas, Portugal fomenta a emigração duma juventude sem lugar para ela na sociedade. Como emigrantes, os portugueses, são bons camaradas e ao mesmo tempo amigos do patrão. Enquanto os portugueses no estrangeiro aforram, na terra gastam mais do que produzem. Os não emigrados, julgando que os “emigrantes” ganham o dinheiro sem suor, vêem-nos de resvés. A inveja não suporta outros de cara lavada.
A assimetria no desenvolvimento de maiorias e minorias fomenta a inveja. Uma política partidária narcisista tem acentuado o problema. Enquanto na França há 1,99 crianças por mulher, na médias dos 27 países da EU 1,58, Portugal consegue, com 1,32 por mulher, ser na Europa, o país que menos filho gera. Portugal ainda os poucos filhos que tem obriga-os a emigrar, não criando espaço económico para eles. Sangra-se. Paulo Morgado denuncia, com objectividade, Portugal com um Estado colosso como um polvo que tudo abafa não permitindo concorrência na vida económica e cultural portuguesa. “O mercado português ainda se move mais pela parte relacional do que pela competência”. Isto podemos constatá-lo desde a administração pública às Câmaras Municipais, onde há chefes de si mesmos (sem um mínimo de pessoal a administrar) com projectos artificiais (para colocar amigos).
O Estado não se tem preocupado com política familiar, castigando quem tem filhos; não se tem preocupado com o fomento de empresas pequenas e médias, aquelas que poderiam criar emprego e produção portuguesa. Cada um, onde está faz por si. Na arena pública da nação são constantes os discursos políticos; a discussão económica tem sido pouco séria, muitas vezes apresentada sob uma perspectiva de autodefesa ou de culpabilização dos outros. As empresas e o discurso cultural encontram pouco espaço na discussão pública.A classe política, na sua incompetência da gestão pública, desqualificou-se ao deixar chegar o país à beira da insolvência.

A via para sair da crise será “o saber de experiência feito”

“Porque é sono o não saber”, constatava já Fernando pessoa.As instituições não têm assumido responsabilidades. Os problemas políticos, sociais e económicos, são em geral discutidos nos Media sob uma perspectiva político-partidária, o mesmo se dando no parlamento. Nota-se falta de competência económica, no discurso nacional. Muito discurso é meramente teórico sem experiência adquirida nas empresas e nos laboratórios das universidades. Muitos dos assessores têm apenas um curso universitário e o cartão do partido. Perdemos o ideal que pautava os arquitectos dos nossos descobrimentos: “o saber de experiência feito”.
Seria esclarecedor da situação se ocorresse um estudo sobre a proveniência profissional dos deputados com acento no parlamento: quantos são empresários, quantos provenientes do serviço público, quantos ecónomos, engenheiros, juristas, pedagogos, médicos, etc. Assim se saberia os modelos de pensamento que dominam o parlamento. Daí se poderia concluir da sua competência económica e social. O jogo de xadrez do poder político cada vez descarrega mais figuras políticas na liderança de grandes empresas de relevo nacional. A objectividade cede a interesses encostados às burocracias. Um tal sistema fomenta um espírito providencialista e parasita. Um bom tema de doutoramento seria uma investigação séria sobre as grandes empresas nacionais e o número de quadros vindos da política.
Já chega de “português para inglês ver”. Em Portugal Tudo fomenta um narcisismo latente na administração e na sociedade. O sistema fomenta a ascensão de pessoas narcisistas como se pôde verificar no currículo de Sócrates. Exagerado senso de auto-estima sob o substrato duma realidade deprimente. Ciumentos estão sempre prontos a dar a culpa aos outros e com dificuldades de relações pessoais autênticas concentram-se, por isso na sua carreira: os fins justificam os meios. Geralmente, pessoas que se encontram à frente do pelotão não sentem empatia pelos outros. Em vez da empatia têm um sentimento de grandiosidade sem limites. Querem admiração sem crítica, não se importando, a nível prático, com a exploração dos outros. O que conta é dinheiro, poder e prestígio. No mercado das opiniões, sentem-se vítimas colocando os outros no lugar do transgressor.

Vive-se uma vida ad hoc. Quem não produz mais que consome age contra a natureza! Já David Hume constatava que “não é a razão que nos orienta na vida mas o hábito”. Daí a necessidade de vozes da consciência nacional que chamem a atenção do perigo da inércia, o perigo dum hábito irreflectido em que tem vivido toda a nação: uns da cópia e os outros da imitação. Por isso a primeira exigência que se coloca a um cidadão formado é ser um cidadão céptico mas consciente de que a crítica esconde a desilusão. Não se pode continuar a viver segundo o lema: já que não se tem o que se quer, aceita-se o que se não quer. Na sociedade portuguesa por onde quer que nos movimentemos tropeçamos no narcisismo. As ondas do narcisismo que emanamos são tão perigosas como as ondas de radioactividade atómica.A primeira república portuguesa rendeu-se ao estrangeiro, a actual também. O futuro está nas nossas mãos de cidadãos! Portugal ou acorda agora ou quando acordar já não é Portugal.

António Duarte da Cunha Justo

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

AJUDA AOS POBRES CAI PARA METADE

A ajuda aos pobres obtida através do Fundo Social Solidário é cada vez menor. A crise e o desemprego levam a que o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio de Fonseca, tema que os donativos venham a diminuir ainda mais.
Segundo os números divulgados pela Cáritas, entre Setembro de 2010 e Fevereiro deste ano foram recolhidos 477 mil euros. Nos seis meses seguintes, as receitas desceram para 194 mil euros.
Para o Presidente da Cáritas, a queda dos donativos acontece porque “as pessoas possuem cada vez menos para dar”, não representando menos espírito solidário. “Na última campanha, pedi que quem pudesse entregasse 10% do subsídio de férias para ajudar os mais carenciados. Infelizmente, no subsídio de Natal não vamos fazer um pedido idêntico, porque parte dele será destinado ao imposto extraordinário”.
O fundo perdeu já 323 mil euros, canalizados para ajudar cerca de 3.000 pessoas. A maior parte da ajuda foi para despesas com habitação.
OS DESEMPREGADOS LIDERAM PEDIDOS DE APOIO SOCIAL. A maioria das famílias que recorrem ao Fundo Social Solidário é constituída por pais de meia-idade e crianças, referiu Eugénio da Fonseca. “ O motivo pelo qual pedem ajuda é que um dos membros ou mesmo os dois, estão desempregados e não conseguem fazer face às despesas, em particular com a habitação”, acrescentou. O Fundo já distribuiu 323 mil euros, 34,6% dos quais para pagamento de rendas em atraso. Facturas de electricidade em dívida representam 13%.
MORAL DA REALIDADE:
Os pobres que ajudavam outros pobres estão eles também neste momento a passar grandes dificuldades. Os ricos não podem ajudar sob pena de também ficarem “pobres”, mas quando o povo não tiver, também lhes vai tocar e, quando isso acontecer vai ser muito duro.